Estudo Bíblico sobre Miguel

Provavelmente, a principal razão pela qual os cristãos em geral receiam atribuir a Cristo o título de Miguel é porque crêem que isso significa negar Sua plena divindade. As assim chamadas Testemunhas de Jeová realmente afirmam que Jesus é Miguel e crêem que Ele é “um deus”, mas não plenamente Deus. Os adventistas do sétimo dia também afirmam que Miguel é um dos títulos de Jesus. Mas, ao contrário das Testemunhas de Jeová, os adventistas acreditam que Cristo é uma das três Pessoas da Divindade e, portanto, co-eterno com Deus o Pai (Crenças Fundamentais, 2); Jesus é “Deus, o Filho Eterno” e “verdadeiramente Deus” (Crenças, 4). Este estudo apresenta razões bíblicas para crer que Miguel é Cristo e responde às principas objeções levantadas contra esta idéia.

Razões bíblicas:

(1) A palavra “anjo” significa “mensageiro” e não se refere apenas às criaturas celestiais (chamadas de “anjos”). Ela também é usada, nas línguas originais da Bíblia, para se referir a seres humanos (ver, p. ex., Gn 32:3, 6; Nm 20:14; 21:21; 22:5; 24:12; 2 Cr 36:15, 16; Jr 27:3; Ez 17:15; Ag 1:13; Ml 2:7; Mt 11:10; Mc 1:2; Lc 7:24, 27; 9:52; Tg 2:25; Ap 1:20 etc.).

(2) Nem todo “anjo” é um ser criado, pois o “Anjo [= Mensageiro] do Senhor” é um Ser divino digno de adoração (Gn 16:10, 13-14; 21:17-18; 22:11-12; 31:11, 13; 48:15-16; Êx 3:2, 4 [cf. At 7:35, 38]; 23:20-23; Nm 22:31-35; Jz 6:11-24; 13:18, 20-23; Is 63:9; Os 2:3-4 [cf. Gn 32:26, 30]; Zc 3:3-4; Ml 3:1). Além dos adventistas, praticamente todos os estudiosos cristãos afirmam que este “Anjo” era o próprio Cristo.

(3) “Anjo do Senhor” (= o supremo “Mensageiro do Senhor”) é um termo equivalente a “Arcanjo” (= “o principal Mensageiro” de Deus). Cristo é o supremo meio de comunicação entre Deus e os homens. As duas expressões são utilizadas para se referir ao Defensor/Mediador do povo de Deus (Dn 12:1; Zc 3:1-5; Jd 1:9). É interessante observar que a Bíblia não menciona vários arcanjos, mas somente um arcanjo, pois essa palavra significa “o principal mensageiro”.

(4) Miguel possui características divinas. Ele é o “o primeiro dentre os primeiros príncipes” (Dn 10:13, tradução literal); e “o grande Príncipe” (Dn 12:1). Esses títulos O identificam com “o Príncipe dos príncipes” (Dn 8:11, 25) e “o Messias, o Príncipe” (Dn 9:25). Além disso, Miguel é o “Príncipe” (Dn 10:21) e “defensor” do povo de Deus (Dn 12:1), qualidades que pertencem apenas Cristo (Is 9:6; At 5:31). Ver Arthur J. Ferch, The Son of Man in Daniel 7 (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1983).

(5) Miguel é o vencedor de Satanás e o Líder das hostes celestes (Ap 12:7). Miguel é o mesmo “Capitão do exército do Senhor” (Js 5:14), um Ser divino que aceita adoração (vv. 14-15; cf. Êx 3:4-6; Ap 22:8-9). O conflito entre o bem e o mal se polariza entre Cristo e Seus anjos e Satanás e seus anjos; o Líder dos anjos leais não é uma mera criatura, mas o próprio Cristo (Mt 4:1-11; Jo 12:31-32; 14:30; Ef 6:10-20; Cl 1:13-14; Ap 12:1-17; 20:1-10).

(6) Uma das características básicas do conteúdo profético do livro de Daniel é a “repetição para ampliação”. Cada uma das quatro grandes seções proféticas do livro emprega símbolos diferentes para descrever a mesma seqüência profética, culminando sempre com a manifestação gloriosa de Cristo para a implantação do Seu reino eterno. Essa manifestação de Cristo é simbolizada em Daniel 2, pela pedra cortada sem auxílio de mãos (vv. 34-35, 44-45; comparar com At 4:11; Ef 2:20; 1 Pd 2:4-8); em Dn 7, pelo aparecimento do Filho do Homem (v. 13; cf. Mt 16:27; 24-27 e 30; 25:31 e 32 etc.); em Dn 8, pelo surgimento do Príncipe dos Príncipes (v. 25; comparar com Ap 19:11-21); e, finalmente, em Dn 10-12, pela vinda de “Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo” (Dn 12:1; cf. Sl 91). Alegar que Miguel seja um simples anjo significa quebrar o paralelismo estrutural do livro. (Parágrafo extraído de Alberto R. Timm, “Arcanjo Miguel”, em Wilson Sarli, Anjos: exércitos invisíveis de luz e poder [Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2000], 343-344).

(7) Muitos judeus (antes mesmo do tempo de Cristo) acreditavam que Miguel era um Ser divino, “o Jeová menor”, digno de adoração, que oficiava como sumo sacerdote no templo do Céu e que viria como o Messias. Ver Robert L. Odom, Israel’s Angel Extraordinary (Bronx, NY: Israelite Heritage Institute, 1985). Além disso, a posição de que Miguel é Cristo tem sido mantida por inúmeros estudiosos cristãos, tais como João Calvino e Matthew Henry.

Respostas às objeções:

Objeção 1: A Bíblia apresenta muitas diferenças entre Jesus e Miguel: Jesus é Criador (Jo 1.3), Miguel é criatura (Cl 1.16). Jesus é adorado por Miguel (Hb 1.6), Miguel não pode ser adorado (Ap 22.8-9).

Resposta: O nome de Miguel não aparece em Cl 1:16 e Ap 22:8-9. O primeiro versículo afirma que todas as coisas, incluindo os anjos, foram criadas por Jesus. Entretanto, como vimos anteriormente, o “Anjo do Senhor” não é um mero anjo (criatura). Ele é um Ser divino e o supremo Anjo (= Arcanjo) de Deus (ver item 2, acima). Além disso, a Bíblia apresenta Miguel como um Ser igualmente divino (ver itens 4 e 5).

Objeção 2: Jesus é o Filho de Deus [Jo 1:14; 3:16], e Miguel é anjo (Hb 1:5-6).

Resposta: Os “anjos” (criaturas) não podem ser adorados, enquanto que o “Anjo do Senhor” (= o Arcanjo) é um Ser divino, digno de adoração. A primeira e a segunda questões baseiam-se em uma leitura superficial, ignorando o fato de que seres humanos e o “Anjo do Senhor” (um Ser divino) são chamados de “anjos”, ou seja, mensageiros (ver itens 1 e 2, acima).

Objeção 3: Jesus é o Senhor dos Senhores (Ap 17.14); Miguel é príncipe (Dn 10.13).

Resposta: Na linguagem bíblica, não há distinção entre príncipe (pode ser traduzido como “governante”) e senhor (ou rei). De fato, em várias ocasiões Jesus é chamado de Príncipe (Is 9:6; At 5:31). No próprio livro de Daniel, o Messias é o “Príncipe dos príncipes” (Dn 8:11, 25; 9:25). Em Js 5:14-15, o “Príncipe do exército do Senhor” é um Ser divino, que aceita ser adorado (ver Êx 3:4-6; Ap 22:8-9).

Objeção 4: Jesus é Rei dos Reis [Ap 19.16]; Miguel é príncipe dos Judeus (Dn 12.1).

Resposta: Dn 12:1 descreve eventos que ocorreriam no “tempo de angústia como nunca houve” (v. 1), pouco antes da ressurreição (v. 2) no “tempo do fim” (vv. 9, 13). Portanto, o “povo” que Miguel protegeria não é composto unicamente por judeus, mas por “todo aquele que for achado inscrito no livro” da vida (v. 1). Além disso, Miguel não é meramente “um príncipe”, mas sim “o primeiro dentre os primeiros príncipes” (Dn 10:13, tradução literal) e “o grande príncipe” (Dn 12:1). Esses títulos identificam-No com “o Príncipe dos príncipes” (Dn 8:11, 25; 9:25), o Messias.

Objeção 5: Os arcanjos também anunciarão a volta de Jesus (1 Ts. 4:16). A conotação de arcanjo no texto referido, não diz ser Jesus o Arcanjo, mas que o Arcanjo irá anuncia-lo.

Resposta: No original em grego (transliterado), 1 Ts 4:16 diz o seguinte: “autos [ele mesmo] o [o] kurios [Senhor] en [em/com] keleusmati [palavra de comando] en [em/com] phônê [voz] archaggelou [de arcanjo] … katabêsetai [descerá] ap [do] ouranou [céu]”. A versão Almeida Corrigida Fiel traduz corretamente o texto: “o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus”. Muitos adventistas têm usado esse versículo para mostrar que Miguel é um título de Cristo. Creio que o texto não afirma isso, não devendo ser utilizado como argumento.

No entanto, a objeção mencionada comete um grande equívoco ao alegar que “o Arcanjo irá anuncia-lo”, pois o texto bíblico não afirma isso. Em realidade, Jesus voltará com “voz de arcanjo” ou “com voz de principal mensageiro” (ver item 3), o que demonstra que Sua poderosa voz será ouvida por todos. A teoria de que “arcanjos” (no plural) anunciarão o retorno de Jesus não possui qualquer apoio bíblico. Além do fato de que 1 Ts 4:16 utiliza a palavra no singular, não pode existir vários “arcanjos”, já que essa palavra significa “o principal mensageiro”.

Observações Finais:

(1) Em Zc 3:2, lemos: “O Anjo do Senhor disse a Satanás: ‘O Senhor o repreenda, Satanás!’” (NVI). Muitos manuscritos hebraicos trazem: “O Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreende, ó Satanás” (Zc 3:2, ARA). Seja qual for a expressão exata que aparece n texto original, é importante observar que tanto “o Anjo do Senhor” como “o Senhor” são Seres divinos. A declaração “o Senhor te repreende” liga o Anjo do Senhor a Miguel, que pronunciou as mesmas palavras na contenda a respeito de Moisés (Jd 1:9).

(2) Os relatos têm ligações não apenas verbais, mas temáticas. Em Zc 3, o sumo sacerdote Josué está diante do tribunal divino. Satanás o acusa de pecado, enquanto que o Anjo do Senhor o defende. Jd 1:9 declara que Satanás desejava o corpo de Moisés, mas Miguel repreende a Satanás. Em ambos os relatos é travada uma luta por um servo de Deus entre o Anjo do Senhor e Satanás. Nos dois casos, Miguel desempenha uma função de “defensor” do povo de Deus (cf. Dn 12:1) e representante de Deus na batalha contra as forças do mal (cf. Ap 12:7).

(3) “O Anjo do Senhor” (= o supremo “Mensageiro do Senhor”) é um termo equivalente a “Arcanjo” (= “o principal Mensageiro” de Deus e Líder dos anjos). Miguel é o Líder das hostes angélicas na batalha contra o mal (Dn 12:1; Ap 12:7) e, portanto é o mesmo “Capitão do exército do Senhor” (Js 5:14). Ele é o mesmo “Príncipe do exército” dvino (Dn 8:11), identificado com “o Príncipe dos príncipes” (v. 25) e “o Messias, o Príncipe” (Dn 9:25). Segundo o Novo Testamento, Cristo é o Líder dos anjos, o vencedor de Satanás e o defensor do povo de Deus (Jo 12:31-32; 14:30; Ef 6:10-20; Cl 1:13-14).

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