Há Razões para Santificarmos o Sábado? O Que Dizem as Igrejas?

É fato que as mais eruditas autoridades religiosas e todos os documentos religiosos históricos da cristandade não concordam com a visão herética semi-antinomista/dispensacionalista que nega a validade e vigência do Decálogo como norma cristã, e prega o fim total do quarto mandamento, como sendo inteiramente “cerimonial”.

O que, na verdade, sempre constituiu o pensamento geral das mais variadas correntes doutrinárias e denominações cristãs é que dentro do Decálogo há o quarto mandamento estabelecendo que um dia inteiro entre os sete da semana deve ser o dia de descanso a ser santificado a Deus, princípio este que fora instituído na fundação do mundo para benefício do homem no Éden e deve ser mantido pelos cristãos hoje, mesmo que não seja necessariamente o sétimo dia específico, podendo ser aplicado ao primeiro dia, sendo chamado de “Sábado Cristão”. O que importa, porém, é que admitem oficialmente a validade e vigência do mandamento e as origens endêmicas do princípio sabático. A questão sobre o domingo ter tomado o lugar do sétimo dia já é outra.

—> Assembléia De Deus

O Pr. Harold J. Brokke é bastante enfático e categórico ao dar uma resposta a esta questão. Ele proclama “em alto e bom som”:

    “É possível que alguém imagina que a transgressão desse quarto mandamento é menos grave do que a transgressão dos outros nove. A verdade, porém, é que quem se dispõe a transgredir o quarto mandamento já tem no coração a inclinação de transgredir um ou mais dos outros mandamentos. (…)
    “Por que deve o homem guardar o sábado do Senhor? Porque é justo! Segue-se aqui o mesmo princípio de não furtar porque não é justo.”
    — Em “Prosperidade pela Obediência”, p. 58–59.

—> Igreja Presbiteriana

O prof. John D. Davis, com sua autoridade:

    “A doutrina ensina claramente que este dia foi ordenado por Deus, para repouso do corpo, e bem-estar do homem; que o deviam observar, imitando o exemplo que Deus dá, e por causa das bênçãos por Ele conferidas.” — Idem, p. 520.

Agora, extraído do “Breve Catecismo”, editada pela “Casa Editora Presbiteriana”:

    “O quarto mandamento exige que consagremos a Deus os tempos determinados em Sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para ser um dia de santo descanso a Ele dedicado. (…) proíbe a omissão ou a negligência no cumprimento dos deveres exigidos, e a profanação deste dia por meio de ociosidade, ou por fazer aquilo que é em si mesmo pecaminoso, ou por desnecessários pensamentos, palavras ou obras acerca de nossos negócios e recreações temporais. (…) Deus nos concede de fazermos uso dos seis dias da semana para os nossos interesses temporais: o reclamar Ele para Si a propriedade especial do dia sétimo, o Seu próprio exemplo, e a bênção que Ele conferiu ao dia de descanso.” — Em “Breve Catecismo de Doutrina Cristã”, P. 17–18. Grifos acrescentados.

—> Igreja Batista

O primeiro que vai nos indicar algumas boas razões é o teólogo batista Pr. Nilson do Amaral Fanini, pregador do programa de televisão “Reencontro”, que enumera dois motivos para o quarto mandamento:

    “1. O Criador descansou. ‘E ao sétimo dia descansou’. Deus nos dá o exemplo de descanso.
    “2. É que Deus santificou um dia. ‘Portanto, abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.’ Isto é, Deus separou um dia para ser consagrado a ele. Portanto não temos o direito de usar aquilo que não é nosso. O dia é do Senhor. Quando usamos algo que não nos pertence, estamos sendo péssimos mordomos. Mas devemos santificar o tempo. Não basta assistirmos aos trabalhos da igreja. As demais horas do dia devem ser vividas santificadamente.”
    — Em “Dez Passos Para Uma Vida Melhor”, p. 41.

No comentário bíblico dos batistas Jamieson, Fausset e Brown, é declarado que:

    “…e repousou no dia sétimo — não para repousar de esgotamento pelo trabalho (veja Isaías 40:28), mas cessou de trabalhar, dando um exemplo, que equivale a um mandamento, para que nós também suspendamos toda classe de trabalho.
    “3. Abençoou Deus o dia sétimo e o santificou. — fazendo uma distinção própria sobre os outros seis dias, demonstra que foi dedicado para fins sagrados. (…) É uma lei sábia e benéfica, pois proporciona aquele intervalo regular de descanso que requer a natureza física do homem e dos animais empregados em seu serviço, e a não observância do mesmo traz em ambos os casos uma decadência prematura.”
    — P. 21. Grifos acrescentados.

O Pr. Antonio Neves de Mesquita, Doutor em Teologia, e professor de seminários teológicos batistas de grande projeção, em seu livro “Estudo no Livro de Êxodo” ajuda na resposta:

    “Seria impossível a qualquer povo desenvolver espírito religioso sadio e moral alevantada sem que houvesse meios adequados. Ora, o sábado, forçando o descanso das coisas seculares e fazendo inclinar a mente para as divinas, relembrando as beneficências de Deus à raça, conseguiria manter em equilíbrio os dois poderes humanos: físico e moral. (…) O sábado é um elo unindo os homens a Deus por meio do culto, que ele faculta e desenvolve. (…) Podemos aferir grandemente a espiritualidade de um homem pelo respeito que ele tem pelo dia de descanso.” — P. 163, 169–170. Grifos acrescentados.

Catecismo Batista de 1855 (compilado por Charles H. Spurgeon):

    “49. Pergunta: Qual é o quarto mandamento?
    “Resposta: O quarto mandamento é: Êxodo 20:8–11. ‘Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas’.”
    “50. Pergunta: O que se exige no quarto mandamento?
    “Resposta: O quarto mandamento exige que sejam reservados santos a Deus os tempos que Ele determinou em Sua Palavra, especialmente um dia completo dos sete, que deve ser um Sabbath santificado a Ele
    “51. Pergunta: Como se deve santificar o Sabbath?
    “Resposta: O dia do Senhor deve ser santificado através de um descanso santo do dia inteiro, até mesmo de trabalhos e divertimentos mundanos que são certos nos outros dias (Levítico 23:3), e passar o tempo inteiro em adoração pública ou particular a Deus (Salmo 92:1–2), exceto nas obras necessárias de caridade (Mateus 12:11–12).”
    (Levítico 19:30).” — Esse catecismo pode ser visualizado no seguinte web site: http://www.luz.eti.br/do_catecismobatista1855.html (acessado a 23/08/07).

—> Igreja Metodista

O bispo metodista E. O. Haven, por algum tempo presidente da Universidade de Michigan, afirma em sua obra “Pillars of Truth”, fazendo referência a Marcos 2:27, declara:

    “O sábado foi feito para o homem’; não para os hebreus, mas para todos os homens.” — P. 88.

—> Igreja Católica

Convidamos o Frei Leopoldo Pires Martins, OFM, para responder:

    “Este Preceito do Decálogo (o quarto mandamento) regula o culto externo, que devemos a Deus. (…) Ora, como esse dever não pode ser facilmente cumprido, enquanto nos deixamos absorver por negócios e interesses humanos, foi marcado um tempo fixo, para que se possam comodamente satisfazer as obrigações do culto externo. (…)
    “O quanto aproveita aos fiéis respeitar este Preceito, transparece do fato de que sua exata observância induz, mais facilmente, os fiéis a guardarem os outros Preceitos do Decálogo.”
    — Em “Catecismo Romano”, p. 434–435. Grifos acrescentados.

O Frei Leopoldo responde, com muita propriedade, que o mandamento do sábado rege o culto, e que os fiéis tornam-se mais fiéis a Deus quando praticam esse mandamento específico.

Outra contribuição bastante proveitosa é de John L. Mckenzie:

    “O sábado é profanado pelo exercício do comércio, e Neemias fechava os portões de Jerusalém no sábado para impedir o comércio (Nee. 13:15-22). Carregar cargas viola o sábado (Jer. 17:21–27…) .” — Em “Dicionário Bíblico”, p. 810.
    “O sábado era um dia sagrado, que seria profanado pelo trabalho (Eze. 22:18). Conforme Êxodo 20:8-11 e 31:17 (mais um passo adiante) a santidade do sábado era uma santidade objetiva, devido à bênção de Deus, que no 7º dia ‘descansou’ da Sua obra, a criação, pensamento esse que foi largamente elaborado em Gên. 1:1-2:4a”. — Em “Dicionário Enciclopédico da Bíblia”, coluna 1340.

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“Escute as minhas palavras e preste atenção em tudo o que vou dizer…
“Darei a minha opinião com franqueza; as minhas palavras serão sinceras, vindas do coração.” (Jó 33:1,3).

Por Marllington Klabin Will

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