Tremores de terra cada vez mais frequentes no nordeste

Da Tribuna da Bahia

Os moradores de Alagoinha, no agreste de Pernambuco, a 227 quilômetros de Recife, sentiram no início de março o chão tremer 47 vezes em um período de menos de dez dias. Tremores de terra no nordeste, que antes eram mais observados em determinados lugares da região, passaram a ser identificados nos últimos anos em diversas outras cidades nordestinas, afirma o coordenador do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Joaquim Mendes Ferreira.

“Estamos detectando atividade sísmica em várias localidades no nordeste onde não sabíamos que havia”, conta. “Só neste ano ocorreram abalos sísmicos em cidades dos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte”, enumera.

O mais recente foi registrado na semana passada em Tacaimbó, também no agreste de Pernambuco. Já o de maior magnitude, que atingiu 4,3 graus na escala Richter – em uma graduação de 0 a 10 –, ocorreu no início deste ano em Taipu, no Rio Grande do Norte, e foi sentido em um raio de 350 quilômetros, atingindo Natal, Recife e João Pessoa. Mas não há motivos para pânico. A série histórica dos dados mostra que os abalos no nordeste são de intensidade ligeira, ou seja, não costumam causar grandes danos. Dificilmente atingem magnitude acima de 5 graus na escala Richter.

De acordo com Ferreira, a constatação de um maior número de tremores no nordeste se deve à melhoria na comunicação e ao aprimoramento dos instrumentos de monitoramento de atividade sísmica disponíveis na região. Isso possibilita detectar com maior precisão e rapidez abalos sísmicos que antes poderiam passar despercebidos.

O geofísico explica que geralmente acontecem ciclos de atividade sísmica com maior intensidade, seguidos de outros com menor magnitude, como os que estão ocorrendo no nordeste nos últimos anos. Mas como esses ciclos não possuem uma certa duração, é impossível prever quando os próximos tremores ocorrerão. O que já se sabe é que os abalos ocorrem no nordeste na forma batizada pelos sismólogos de “enxame”, ou seja, ocorrem vários sismos por dia, durante muito tempo, causando pânico na população.

Causas – O que os especialistas ainda não conseguiram explicar é porque há maior atividade sísmica na região do que em outras no Brasil. Uma das hipóteses é que a crosta continental de algumas áreas do nordeste é menos espessa do que a de outras do País e, portanto, menos estável e mais propensa a abalos sísmicos.

Realizando pesquisas na área na região desde 1975, uma das descobertas do grupo de pesquisadores do Laboratório Sismológico da UFRN é que os tremores que estão ocorrendo, principalmente, em Pernambuco, estão relacionados à proximidade com uma ramificação do “lineamento de Pernambuco”, como é denominada uma falha geológica de aproximadamente 700 quilômetros, com cerca de 30 quilômetros de profundidade, que corta o estado. Isso já foi comprovado por eles.

Entretanto, eles ainda não conseguiram demonstrar que a atividade sísmica observada em outras cidades do nordeste, como em Sobral, no Ceará, tem relação direta com outro lineamento, o “Sobral-Pedro II”, situado próximo à região. “Há regiões no nordeste que estão sendo reativadas e outras mais propensas a terem atividade sísmica e que até agora, pelo menos, não está acontecendo nada”, diz. “Isso demonstra o quanto é difícil explicar as causas dos abalos sísmicos”.

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