Preocupações de um Adventista Conservador

Para o verdadeiro Cristão, o mínimo nunca é o bastante.

Por Tom Huson

“Parece-me bizarro que muitos que advogam tornarem-se tão semelhantes às igrejas do mundo quanto possível, também clamem acreditar que no final do tempo haverá uma diferença distinta, radical e mesmo ameaçadora entre os adventistas e os das outras fés. Mas em que tempo pensam eles que nós estamos?”

Tendo-me rotulado a mim mesmo de “conservador,” tenho de admitir que não aprecio rótulos que são aplicados às pessoas. Esta aparente contradição parcialmente sublinha o meu propósito em escrever este artigo. Um debate saudável tem sido sempre um factor positivo para o crescimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Neste debate nenhum dos lados tem sido o único repositor de toda a verdade. Ao invés disso, a verdade e o aperfeiçoamento têm sido desenvolvidos através de uma enérgica tensão criada pela discussão entre ambas as partes. Na minha perspectiva, parece que a influência de nossa cultura popular tem adicionado tanto peso a este debate da parte da esquerda que a direcção da maioria do corpo da igreja tem sido significantemente desviada da linha correcta.

Um sintoma desta influência cultural é o facto de pessoas bem intencionadas trazerem novos rótulos para ambos os lados do debate. Em vez de “liberal” e “conservador,” temos sido impulsionados a adoptar novos títulos como “progressista, evoluído” e “tradicional.” Esta mudança implica que se sou um defensor da tradição então sou automaticamente um inimigo do progresso. Não é verdadeiro! A tradição dos homens, tanto antiga como recente quando incorporadas, têm sido sempre perigosas para a fé. Ou seja, eu sou um grande defensor do progresso, embora insista que nem todos os movimentos ou mudanças são necessariamente um progresso para a causa. A mudança que defendo é um movimento que separa de forma clara aquilo que é mundano daquilo que é sagrado, que é a justiça de Cristo. Esta mudança, inevitavelmente, envolve um guerra contra o mundo.

Em João 17:15, Jesus orou para que Deus não nos tirasse do mundo, mas que nos livrasse do mal. Contudo, não é de admirar que igrejas ou algum cristão individual na história do mundo estabelecessem deliberadamente práticas ou elementos do mundo que se reconhecessem como sendo um mal. Todavia, qualquer historiador da igreja poderia recontar numerosos exemplos de males que foram estabelecidos na igreja. De facto, a cultura de seu tempo cegou-lhes os olhos para os males correntes que foram incorporados.

Males Sem Disfarce

Obviamente, males sem disfarce abundam em nossa cultura. Mas não estou falando sobre aqueles que são óbvios. Enganos subtis são sempre os mais insidiosos e mais eficazes. Nossa cultura actual conhece apenas um pecado que universalmente tem sido condenado, o pecado da “intolerância.” É tão fácil ir na onda desta propaganda. Tolerância tem se tornado para muitos a suprema virtude Cristã. Mas o mundo tem mudado tanto esta definição, que algo bem diferente  tem sido apresentado com o nome de “tolerância,” mas que em nada se relaciona com aquilo que Jesus sempre mostrou. Nós agora temos sido impelidos a acreditar que não temos apenas de aceitar o pecador mas os pecados também. Além disso, temos sido instruídos que temos que aceitar todos os pontos de vista como sendo iguais aos nossos. Mas conceder o direito a uma pessoa de fazer ou dizer o que ela deseja é uma coisa; implicar que isto seja correcto é algo bem diferente. Nossa sociedade proíbe-nos de fazer uma distinção.

A corrente cultural que eleva esta tolerância tem feito com que a Igreja Adventista fique amedrontada com relação ao “discurso de ódio,” que inclui, na visão corrente, qualquer tentativa de apontar erros de crença e prática. Como resultado, temos minimizado, disfarçado ou mesmo escondido nossas crenças distintas. Ficamos orgulhosos e felizes quando outras organizações não encontram “nenhuma diferença relevante” entre nós e eles.

Mas se nós realmente vemos nossa igreja como uma continuação da Reforma, temos que em alta voz admiti-lo, e temos que declarar claramente e amavelmente que existem erros em nosso sistema de crença que necessitam ser reformados. Nós temos de oferecer uma diferença distinta e radical e este é o momento certo para reconhecermos isto.

A tentação de nos fundirmos com outros sistemas de crenças tem estado sempre com a igreja. O motivo tem sido em todos os casos o de que necessitamos de construir uma ponte de forma que a igreja pareça mais amigável e prestativa para com o mundo. Isto pareceu bom no tempo da mudança da sacracidade do Domingo, e a mudança de facto resultou num crescimento numérico da igreja, mas com o custo de sua pureza. Os erros históricos que foram incorporados pela igreja não foram trazidos para dentro por pessoas menos inteligentes ou piores do que nós. Eles simplesmente desejavam encorajar o “crescimento da igreja” através do compromisso.

Muitos adventistas sentem-se agora confortáveis para adoptar formas que chamamos de “culturas relevantes,” práticas, e estilos de outras igrejas. Mas a evidência é grande de que pessoas que estão deixando o mundo para Cristo não estão à procura de um lugar que seja o mais parecido possível com o mundo. Nem estão aqueles que se juntam a nós de outras denominações à procura de uma fotocópia do que eles deixaram para trás. Jesus nunca retratou os passos do mundo até ele próprio como um requerimento de uma mudança pequena ou um simples compromisso. Se nós quisermos segui-Lo devemos estar dispostos a saber que grandes compromissos nos esperam para sermos de facto um Adventista, e não ponderar o quanto somos  parecidos com os outros.

O crescimento mais rápido dá-se na maioria das denominações que persistem em assegurar os mais altos padrões de conduta e compromisso para com suas crenças, Em áreas do mundo onde a igreja ainda apresenta nossa mensagem como uma saída radical do mundo, o nosso crescimento é explosivo. Mesmo assim, áreas da igreja consideradas “avançadas” têm ignorado estes exemplos e têm  direccionado suas atenções para as igrejas que assumem as “culturas relevantes” do mundo para aprender a tornarem-se populares.

Parece-me bizarro que muitos que advogam tornarem-se tão semelhantes às igrejas do mundo quanto possível, também clamem acreditar que no final do tempo haverá uma diferença distinta, radical e mesmo ameaçadora entre os adventistas e os das outras fés. Mas em que tempo pensam eles que nós estamos? Temos que parar de competir com o mundo nos seus termos. Os nossos melhores esforços para sermos mais entusiasmados, atractivos e culturalmente “actualizados” apenas criarão um apetite que o mundo poderá saciar melhor do que nós. Nós somos adventistas do sétimo dia por causa da doutrina, e qualquer rebaixamento desta doutrina diminui-nos como um povo e um poder para mudar este mundo.

Ponto Fulcral

A música tem sido um ponto fulcral quando o assunto é copiar práticas das outras denominações. Isto poderá surpreendê-lo, que muitos conservadores como eu vejam muitas coisas boas em algumas das “novas” músicas. Mas o que é bom nisto não é um produto de sua modernidade. A questão é, está semelhante música elevando nossos corações em reverente louvor a Deus? Contém por acaso a letra destas músicas substância, ou oferece ela meramente um repetitivo e hipnótico sonido? Está o cântico edificando o culto de toda a congregação ou apenas apela para o sentimento, excitamento ou um segmento rítmico?

Quando eu vim de fora para esta igreja, estava acostumado com música alta, rouca, trivial, letras repetitivas e uma batida pesada e hipnótica. Teria sido insultuoso para mim se alguém tivesse sugerido que o meu gosto não poderia ser elevado para algo muito mais refinado. Mesmo assim muitos estão insultando nossos jovens com estes mesmos termos, tanto na esfera da música como nos conteúdos dos nossos ensinamentos doutrinais. Se nós continuarmos a impor sobre eles a suposição daquilo que chamam “necessidades especiais” por serem jovens, então quando é que nós pensamos que eles passarão a ter o gosto mais adulto? Ou estamos nós amarrados com permanentes divisões entre as gerações?

Eu admito que algumas das regras e padrões das nossas instituições e igrejas possam parecer arbitrários. Eles são todos arbitrários, mas não da forma que a maioria das pessoas pensa. Nós normalmente pensamos que os padrões são muitos altos, mas pela sua própria natureza todas as leis, ordenanças, e regras, estabelecem padrões mínimos de comportamento. Contudo, para o verdadeiro Cristão, o mínimo exigido nunca é o bastante (leia Mateus 5 com atenção). Nós devemos perguntar, “Que mais posso eu fazer para agradar a Deus e mostrar respeito a Ele, a nossas igrejas e nossas escolas?” Nós nunca deveríamos ser apologistas dos que dizem que nossos padrões são muito altos. Se alguma criança teimosa vê a educação Cristã de forma fácil entendendo que a preferência pessoal é mais importante, então o problema não é com o padrão. Deus não defendeu Caim admitindo que o sacrifício que Ele requereu era “arbitrário.” Deus não aceitou a expressão “individual” de Caim como um substituto a uma obediência voluntária e de coração.

A certeza Cristã nunca tencionou render-se à complacência. Nossa segurança está no poder salvador de Jesus Cristo. Isto não é algo para ser entendido senão pelos sinceros, usando um esforço persistente para conhecê-Lo, para ser como Ele, e para fazer as coisas que Lhe agradam. Se nossa própria salvação é o único ponto de nosso Cristianismo, então não estamos em Cristo. Se nós pensamos que a garantia da salvação Cristã é uma espécie de bilhete de entrada que alcançamos, e que portanto nos garante o céu, então somos “miserável, e pobre, e cego e nu” (Apoc. 3:17).

Então temos uma situação paradoxal na qual só podemos saber que estamos salvos se nunca nos sentarmos confortavelmente em nossos assentos e pensarmos que já alcançamos a salvação. Jesus exige que levemos nossa cruz diariamente e O sigamos. Ele nunca aceitará qualquer coisa senão um total e ardente compromisso voluntário com Ele. Somente estes restarão, aqueles que com todo o seu esforço e tenacidade segurarem na mão de Jesus, apoiarem-se na verdade que Ele nos tem revelado e nos afazeres para os quais temos sido individualmente chamados.

Sim, este movimento necessita de mudanças nas mentes e corações de seus membros. Temos que retornar à santidade. Semelhante “retorno” não é dar um passo atrás, mas uma activa e progressiva denúncia do mundo, da carne e do mal. Necessitamos olhar para o Autor e Consumador de nossa fé, e nos afastarmos da tentação de numerarmos Israel.

Tradução Jaime D. Bezerra

 Artigo publicado na Adventist Review

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