Uma Carta a Laodiceia

Uma carta de amor e advertência revela a paciência de Deus para com a Sua igreja ao alertá-lo para que dê ouvidos à Testemunha Fiel.

              Por  Henry Baasch  

Querida Laodiceia:

Tens ocupado teu lugar no cenário do mundo por bem mais de 120 anos. A estimulante mensagem do retorno de nosso Senhor “em nossos dias” tem sido ouvida por quatro gerações, mas o Noivo ainda não veio reclamar Sua noiva! Muitos de teus ouvintes têm se tornado desanimados e apáticos, outros têm aumentado em desapontamento e descrença, um grande número tem prosseguido em seu descanso.

Estás consciente do facto de que o inimigo te tem sob a mira, mais do que a qualquer outro povo? (Mateus 24:24). Ao tempo do primeiro advento de Cristo ele tinha como alvo a nação judaica- foi bem sucedido então. Agora, ele tem em vista a igreja remanescente enquanto aguarda Seu segundo advento. Será ele tão bem sucedido quanto foi com os judeus? Lembra-te, o engano é a mais mortal das setas que ele leva em sua aljava e a profecia adverte (Mateus 24:24 e Apocalipse 3:17) que é a mesma seta que ele aponta para ti o povo eleito.

A profecia não te acusa de negligência ou indolência, nem de falta de conhecimento doutrinário, ou de falta de habilidades administrativas ou executivas. Em todos estes sectores te sobressais e és admirado mesmo pelo mundo. Tua proficiência nestes âmbitos têm te tornado rico e tens aumentado teus bens. Contudo, a profecia te fornece a advertência com respeito à tua atitude morna para com Aquele que está rogando à tua porta por admissão, instando para que te vistas com Seu precioso manto de justiça.

A profecia lamenta tua escassa atenção ao conselho da Testemunha Verdadeira, da qual depende teu destino. És uma comunidade ocupada – sim, tão ocupada! Acumulas actividade e mais actividade, mas és tentada a fazer da actividade, do cumprimento de objectivos humanos e de padrões de “realização” o teu deus e a descansar complacentemente e se autocongratulando à luz de tais ídolos!

A pressa e a azáfama têm usurpado o lugar de uma hora com teu Salvador, que deseja ser mais familiar a ti. A actividade te tenta a negligenciar o cultivo de tua vinha espiritual. Enquanto cresces em número, extensão e popularidade, estás perdendo em profundidade e em compreensão espiritual. Estás flertando com os padrões do mundo a teu redor. Cobiças sua aprovação e te agradas quando seus grandes homens sorriem para ti.

Uma música se compõe de três partes: melodia, ritmo e acompanhamento. Todas as três são essenciais, porém não iguais em importância. A melodia deveria ter o papel mais importante e não deveria ser ofuscada pelo ritmo ou pelo acompanhamento. A evangelização do mundo por meio da pregação extensiva, ensino e propaganda impressa e o dispêndio de grandes somas de dinheiro para campanhas, construções, equipamentos, viagens, etc.- embora todos vitais – não cumprem, em ou por si mesmos, a comissão principal confiada à igreja remanescente. Estes não são a melodia. No máximo, são o acompanhamento.

A melodia, que deve soar à frente, em primeiro plano, mas ainda mais clara, é o canto da vitória sobre o pecado, o cântico de Moisés e do Cordeiro, elevando-se mais e mais alto, mais e mais perto do Padrão celestial, mais e mais para longe do mundo, ao clímax da altura de uma “manifestação final e completa” de Sua graça – em vasos de barro, porém despidos de toda mundanidade e recomendados pela declaração do anjo: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” Apocalipse 14:12. Pela primeira vez este testemunho será dado sobre toda uma comunidade de santos.

A mensageira do Senhor nos apresenta este quadro: “Enquanto eu estava orando junto ao altar da família, o Espírito Santo me sobreveio, e pareceu-me estar subindo mais e mais alto da escura Terra. Voltei-me para ver o povo do advento no mundo, mas não o pude achar, quando uma voz me disse: ‘Olha novamente, e olha um pouco mais para cima.’ Com isto olhei mais para o alto e vi um caminho recto e estreito, levantado em lugar elevado do mundo. O povo do advento estava nesse caminho, a viajar para a cidade que se achava na sua extremidade mais afastada.” Primeiros Escritos,p.14.

O meio legítimo de acrescentar almas ao reino é apontado nas seguintes passagens: “‘Nisto é glorificado Meu Pai,’ disse Jesus, ‘que deis muito fruto’….Todavia o Salvador não ordena aos discípulos que se afanem para produzir frutos. Diz-lhes que permaneçam nEle. ‘Se vós estiverdes em Mim’, diz, ‘se as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito’….A vida de Cristo em vós produz os mesmos frutos que nEle produziu. Vivendo em Cristo, aderindo a Ele, por Ele sustentados, e dEle tirando a nutrição, dareis frutos segundo a Sua semelhança.” O Desejado de Todas as Nações,p.677.

“Os seguidores de Cristo não necessitam procurar brilhar. Se contemplarem continuamente a vida de Cristo, serão transformados na mente e no coração, à mesma imagem. Então hão – de brilhar sem qualquer tentativa superficial.”

Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes,p.251.

“Mas Cristo não ordenou aos discípulos: ‘Esforçai-vos por fazer brilhar vossa luz’. Ele disse: ‘Brilhe a vossa luz’. Se Cristo habita no coração, é impossível ocultar a luz de Sua presença. Se aqueles que professam ser seguidores de Cristo não são a luz do mundo é porque o poder vital os deixou; se não têm luz para dar, é porque não têm conexão com a Fonte da luz.”

Thougths From the Mount of Blessing,p.41.

Em vista destas declarações, a questão de avaliar correctamente o cumprimento de todos os projectos missionários merece um sério estudo. O método popular de expressar resultados em termos de número de pessoas baptizadas, expansões obtidas, páginas de literatura distribuída e somas de dinheiro arrecadado podem perfeitamente ser questionadas. Admite-se francamente que esses itens impressionam! Quantias e números sempre impressionam. São fascinantes, acrescentam “glamour” ao desempenho.

Além disso , são prontamente assimilados pela mentalidade mediana. Também provêm uma escala conveniente para medir resultados e definir méritos. Contudo, o cheiro do mundanismo se agarra firmemente a eles. Cuidado, Laodiceia! Certa vez, Davi caiu vítima da magia dos números (I Crónicas 21:1)- este desporto inspirado por Satanás, que tão subtilmente leva ao orgulho e à condescendência própria, que tão enganosamente substitui quantidade por qualidade, méritos verdadeiros por mediocridade, modéstia por pompa.

O encanto exercido por números, tamanho e quantidade, se deixado a prevalecer, encherá os bancos de Laodiceia com “filhos ilegítimos” e encherá suas fileiras com uma multidão mista a qual, como no passado, poderia levar sua marcha à paralisação em uma outra “Cades-barnéia”. Deus não permita que tal coisa ocorra!

Entretanto o perigo é real, e a Testemunha Verdadeira enfaticamente adverte a Laodiceia contra o jactar-se de suas “riquezas” (Apocalipse 3:17). Incidentalmente, isto engrossará as fileiras daqueles que acabarão por ser nossos piores inimigos

(O Grande Conflito,p.608).

Finalmente, somar-se-ão aos “muitos” (Mateus 7:22-23) que pedem entrada no Reino, mas de quem Jesus diz: “Nunca vos conheci!” Oh, que tremendo desapontamento! Como tal coisa poderia acontecer? A resposta é: Eles ocuparam-se com um elaborado acompanhamento que abafa a melodia com seu ruído!

Que Laodiceia pondere seu caminho! Faça uma pausa e prepare um inventário; considere e descubra onde se afastou do Padrão em múltiplas actividades: ministeriais, educacionais, médicas, sociais, etc. Confesse francamente suas faltas, pleiteie por perdão e então estabeleça seu curso futuro em harmonia com o conselho divino. Evite a arte subtil da racionalização, que faz o mal parecer bem e a transgressão parecer uma necessidade; tenta “actualizar” o que é eternamente jovem e viçoso – sempre a cabeça e nunca a cauda.

A menos que Laodiceia submeta-se a um sincero auto-exame e a uma auto-disciplina descomprometida, descerá sobre ela uma tempestade que irá peneirar e sacudir suas fileiras e varrer para um lado a totalidade de sua casa, com sua mobília elaborada e custoso equipamento, abrindo o caminho para o Senhor mesmo dominar sobre os reinos (Testemunhos para Ministros,p.300; Testemonies,vol.5, p.80; Romanos 9:28) com um exército de “desconhecidos” cujos nomes e retratos não podem ser encontrados em qualquer registro, ou documento eclesiástico, ou livro, nem divulgados de qualquer mesa ou plataforma.

Contudo, eles são o “firmamento escondido” de Deus, os desconhecidos “Elias” que Ele tem reservado para aquela hora e ocasião para reflectir Sua resplandecente glória a qual iluminará toda a Terra em uma última tentativa para salvar almas de um mundo condenado a perecer.

Que Laodiceia abra sua porta, admita seu divino Amado adorne-se com os atavios de noiva que Ele tão ansiosamente lhe oferece; sente-se com seu grande Amigo, ceie com Ele, e permita-Lhe levá-la para Seu lar celestial, para sentar-se ao Seu lado no trono do universo! Pode qualquer desejo ou ambição superar tal experiência? Pode qualquer expectativa sobrepujar tal excelência? “Mais elevado do que o sumo pensamento humano pode atingir é o ideal de Deus para com Seus filhos. A santidade, ou seja, a semelhança com Deus, é o alvo a ser atingido.”

Educação, pág. 18.

(Revista Nosso Firme Fundamento, vol. 1, nº 5) 

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