Dragão com cara de carneiro

DRAGÃO COM CARA DE CARNEIRO – Os Estados Unidos entrarão nesta terça-feira em uma dimensão desconhecida ou viverão, sem ilusões, um marco de sua história: alçar pela primeira vez uma mulher ao comando do país. Um homem sem experiência política — errático e xenófobo e com um faro extraordinário para captar o estado de ânimo da classe trabalhadora branca— pode ganhar, neste dia, as eleições presidenciais dos EUA. Com o republicano Donald Trump, a virada seria abrupta: um mergulho na incerteza. A alternativa é a esposa de um ex-presidente, veterana da política, que oferece a continuidade. A democrata Hillary Clinton confia em que o apoio maciço da comunidade latina poderá torná-la a primeira presidenta do país (El País).
O Apocalipse diz que no fim dos tempos a besta que emerge da terra fará uma imagem à besta que emerge do mar e forçará o mundo todo a adorá-la. Qualquer pessoa que se recuse a adorar a imagem pode ser morta, ou no mínimo ser proibida de exercer atividades econômicas. A Idade Média da história europeia foi um tempo de supremacia papal. O papa tinha poder de estabelecer e remover reis, e era dever dos governos europeus impor a doutrina e a ordem moral do papado.
 A maioria das pessoas conhece as severas perseguições que ocorreram por causa da Inquisição, incluindo a execução de hereges por métodos tão cruéis que incluíam queimar pessoas vivas na estaca. Contudo, o papado em si geralmente não executava os hereges. Os tribunais religiosos do papado ouviam as acusações contra o réu e davam a sentença para os que eram considerados culpados, mas nesse momento a igreja entregava o réu à autoridade secular para que fosse punido. Assim, o Estado era o “braço direito” da igreja. Essa é precisamente a relação que existe entre a besta da terra e a besta do mar em Apocalipse 13.
 O verso 12 diz que a besta da terra “faz com que a Terra e os seus habitantes adorem a primeira besta. O verso 15 acrescenta que foi dado poder à besta da terra para “comunicar fôlego à imagem da besta, para que não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta”. Em outras palavras, a besta da terra (os Estados Unidos) impõe a adoração e os ensinos da besta do mar (Roma). Como aconteceu no passado, Apocalipse 13 (quando fala do surgimento de uma segunda besta) aponta a união futura do maior poder político do planeta (Estados Unidos) ao maior poder religioso (Vaticano) para estabelecer um domínio global.
 Que poderes mundiais a besta do mar e a besta da terra representam?  O primeiro fato que notamos sobre essas duas bestas é que ambas são poderes político-religiosos com influência global. A besta do mar é claramente um poder político mundial, porque “deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação” (Apocalipse 13:7). Sabemos que sua natureza é religiosa pelo fato de que o mundo a adora e ela “abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para Lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no Céu” (v. 6).
 A igreja nunca escondeu que foi baseada em sua própria autoridade que modificou o quarto mandamento da lei de Deus, instituindo o domingo (antigo dia de adoração ao Sol) como dia santo em lugar do sábado. Acontece que a Bíblia não autoriza quem quer que seja a criar emendas ou reformar a Constituição divina, os Dez Mandamentos. “Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra” (Mat. 5:18). Além disso, o próprio Deus estabeleceu o sábado como um dia especial de adoração e como um sinal entre Ele e Seu povo. “Santificai os Meus sábados, pois servirão de sinal entre Mim e vós, para que saibais que Eu sou o Senhor, vosso Deus” (Ezeq. 20:20).
 A besta da terra também é um poder político global, porque tem autoridade para ordenar que os habitantes da Terra façam uma imagem da besta do mar (v. 14). Uma leitura atenta de Apocalipse 13 mostra que ambas as bestas promovem a falsa adoração. Com exceção do remanescente, o povo de Deus no tempo do fim, toda a população do mundo adorará a besta do mar (v. 8), e a besta da terra forçará os seres humanos a adorar a imagem da besta do mar (v. 15).  Na época indicada pela profecia, a marca será dada aos que optarem por prestar adoração e obediência a legislações humanas contrárias às orientações divinas. 
Em Apocalipse 13, João fala de um poder político-religioso ditatorial que imitaria a “besta” ou “monstro” do Império Romano. Na verdade, João primeiro descreve o próprio Império Romano em sua fase dominada pela política papal; depois, começa a descrever o poder que imitaria e tentaria reviver o Império Romano. Na perspectiva de João, são duas “bestas” em uma mesma agenda. A ideologia, os métodos e os alvos são semelhantes. Exercendo um poder global, ambas as bestas misturam política com religião, impõem um tipo de adoração e perseguem o povo de Deus. A Roma moderna (os Estados Unidos) pareceria cordeiro, mas falaria e agiria como dragão. Seu objetivo, numa fase dominada pela religião, é dar uma nova vida para a antiga Roma, que foi ferida de morte, mas está recuperando seu prestígio. 
A nova Roma implantará um dia obrigatório de adoração (o domingo), assim como a Roma de Constantino fez no quarto século, e o usará como teste de lealdade ao sistema global defendido por ela. Quem não se submeter à política dominante sofrerá sanções econômicas e punições (i) legais. Em algum momento, a política de atacar preventivamente grupos suspeitos será posta em prática contra minorias inocentes. Essa segunda “besta” ditatorial, surgida da “terra” (símbolo de lugar deserto ou pouco habitado, como a América na época do “descobrimento”, em contraste com a primeira “besta”, que surgiu do “mar”, símbolo de lugar povoado, como o Mediterrâneo e a Europa da época), é a nação americana. 
O Apocalipse diz que a besta que emerge da terra (os Estados Unidos) imporá sua falsa adoração com punho de ferro. E aqueles que se recusarem a adorar da maneira politicamente correta serão ameaçados de morte! E, de fato, o anticristo (a besta que emerge do mar) arvora a instituição do domingo em sinal de sua pretensa autoridade. “Por um decreto que visará impor uma instituição papal em contraposição à Lei de Deus, a nação americana se divorciará por completo dos princípios da justiça. Quando o protestantismo estender os braços através do abismo, a fim de dar uma mão ao poder romano e outra ao espiritismo, quando por influência dessa tríplice aliança a América do Norte for induzida a repudiar todos os princípios de sua Constituição, que fizeram dela um governo protestante e republicano, e adotar medidas para a propagação dos erros e falsidades do papado, podemos saber que é chegado o tempo das operações maravilhosas de Satanás e que o fim está próximo” (Testemunhos, volume 5, págs. 449-451).
 Os guias religiosos alegam que a iniquidade que se está alastrando é em grande parte devida à profanação do domingo por parte do povo e que a imposição por lei, da observância deste dia, traria grandes melhoras no que respeita à condição moral da humanidade e às relações sociais entre as nações, pois dirigiria a mente dos homens para Deus. O movimento em favor da santificação obrigatória do domingo cresce dia a dia. Como vemos, o perigo é comum e evidente. O papa Francisco quer o ecumenismo e a santificação do domingo para salvar o mundo do ateísmo, materialismo e anarquismo, pois, só a religião pode estabelecer uma paz duradoura. E, com esses acontecimentos, cumpre-se a profecia, que diz: “E o dragão irou-se contra a mulher (a igreja), e foi fazer guerra ao resto da sua semente (os remanescentes fiéis guardadores do sábado), os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17). (Foto: Divulgação).

Texto por Julio César Prado.

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