Ministro de João Paulo II, Trujillo era assassino na Colômbia

Alfonso Lopes Trujilo foi nomeado em 1990 por João Paulo II para presidente do ‘Conselho Pontifíco para a Familia’. Em 1995 escreveu o livro ‘Léxico para a família: Termos ambíguos e controversos sobre a familia, vida e aspectos éticos’ na qual condena o sexo seguro, a teoria de gênero e o planejamento familiar. Se tornou o homem de confiança de João Paulo II na América latina. Pretendia fazer o conselho episcopal latino americano (CELAM) se inclinar a direita e lançou um ataque a teologia da libertação entre 1979 e 1983. Segundo os jornalistas que investigaram a vida do arcebispo de Medellín (em especial Hernando Salazar Palácio no seu livro A guerra secreta do cardeal Lopes Trujillo; ou Gustavo Salazar Pineda na obra O Confidente da Máfia se Confessa, o prelado esteve ligados a grupos paramilitares próximos aos narcotraficantes da Colômbia. Na época os paramilimitares perseguiam os padres progressistas (esquerditas ou da teologia da libertação) pois consideravam que esses padres eram aliados as 3 principais guerrilhas colombianas (Farc, Eln e o M19).

“Lopes Trujillo se deslocava com os membros dos grupos paramilimitares” afirma Álvaro Leon (que participou enquanto mestre de cerimônia do arcebispo, em diversos deslocamentos). Os paramilimitares identificavam esses padres e voltavam mais tarde para assassiná-los.


Considera se que Trujillo é direta ou indiretamente responsável pela mortes de bispos e dezenas de padres eliminados por causa de suas convicções progressivas. É necessário enfatizar também a incrível riqueza que o arcebispo acumulou durante este período. Segundo diversos depoimentos, abusava de suas funções para requisitar todos os objetos de valor detidos pelas igrejas que visitava, as jóias, cálices de pratas ou quadros e depois revendia ou oferecia a cardeais ou bispos do Vaticano para obter favores em troca.


Álvaro Leon declara sobre a vida homossexual de Trujillo: “Seus alvos eram os jovens, os brancos de olhos claros, os loiros em especial, não os latinos com feições indígenas de tipo mexicano por exemplo, e de modo nenhum os negros. Ele detestava negros”!!

“Lopes Trujillo batia nos prostitutos. Pagava-lhes, mas em troca, eles tinham que aceitar os seus golpes. Isso sempre ocorria no fim do ato e não durante o mesmo. Terminava as relações sexuais batendo neles por puro sadismo”.

Faleceu em abril de 2008. “Quando Lopes Trujillo morreu, decidimos enterrá-lo aqui em Roma porque não podíamos enterrá-lo na Colômbia” confirma o cardeal Lorenzo Baldisseri. O motivo? Segundo os depoimentos que recolhi em Medellín a sua cabeça fora posta a prêmio devido sua proximidade com os paramilimitares. Isso explicaria porque foi necessário esperar até 2017 para o Papa Francisco ordenar o repatriamento do corpo para a Colômbia. Os restos se encontram numa cripta fechada com grade na imensa catedral de Medellín. “O arcebispo tem medo de vandalismo. Teme que o túmulo seja saqueado por uma das famílias vítimas de Lopes Trujillo ou por algum garoto de programa que tivesse rancor dele” -Comenta Álvaro Leon.

Fonte: Frederic Martel. No armário do Vaticano. 2019. capítulo 13.

Observação:  No Armário do Vaticano é uma reportagem investigativa que demorou 4 anos para ficar pronta. No total foram realizadas 1500 entrevistas: 41 cardeais, 52 bispos e monsignori, 45 Núncios apostólicos, secretários da nunciatura ou embaixadores, 11 guardas suíços e mais de 200 padres católicos e seminaristas. Para realizar essa investigação viajei regularmente para Roma me hospedando por lá em média 1 semana por mês, entre 2015 e 2018. Também pude me instalar algumas vezes no interior do Vaticano e fiz pesquisas em 15 cidades italianas. Também realizei minha investigação em mais de 30 países para onde retornei diversas vezes (No Brasil Belém, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio e São Paulo em 2014, 2015, 2016 e 2018). A maior parte das entrevistas foi gravada com total acordo com os interlocutores ou efetuada na presença de um investigador ou de um tradutor, que as testemunharam, no total dispondo de 400 horas de gravações, 80 blocos de notas de várias centenas de fotos e selfies Cardinalícas.

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