É pecado assistir animes? Naruto ou Dragon Ball?

As pregações e vídeos feitos por pastores que condenam obras de ficção por simplesmente essas obras terem vilões demoníacos não faz sentido para os jovens e adultos. Esses apenas darão como resposta padrão que essas obras são “só histórias de ficção”. E dirão mais: “Toda história tem que ter um vilão. Aí os pastores mostram o vilão da história como argumento para que a obra não seja assistida. Mas até a bíblia tem um vilão. Então não deveria ser lida por isso?”

A maioria das histórias exalta os heróis apesar de uma minoria “defender o vilão”. Se o argumento dos religiosos fosse coerente apenas deveria ser condenado histórias que anti heróis ou vilões são exaltados. Mas não é o que acontece. Na prática eles condenam todas as obras.

Na verdade o Adventismo é contra histórias de ficção no geral como princípio (como está no livro Mensagens aos Jovens). Mas se é assim o vídeo deveria ser diferente: exaltar o princípio e não condenar as obras por terem personagens vilanescos. Toda obra dramática ou de aventura para ser interessante precisa de um conflito e o conflito só existe por conta do vilão. Até o livro O Grande Conflito só existe por conta do vilão.

Mas por que não são feitos vídeos ou escritos artigos mais claros? É porque condenar todas as obras de ficção afastaria o ouvinte logo no começo da conversa. Por outro lado o argumento mais ameno, centrado no fato das histórias terem vilões, é fraquíssimo e logo é esquecido, ignorado e rejeitado tanto pelo religioso ou pelo não religioso.

Em Dragon Ball, uma das obras máximas da cultura japonesa moderna o personagem mais condenado pelos pastores é o “senhor Satan”. Mas ele é um vilão na obra: covarde, mentiroso, enriqueceu a custas de fraude no esporte e é venerado mundialmente. É claramente uma crítica poderosa de como a população é enganada. “Bater” nesse personagem é desconhecer a obra ou usar um argumento muito fraco. O argumento forte é sempre baseado em princípios. Poderia ser escritos artigos contra a doutrina de imortalidade da alma tão presente em Dragon Ball. Mas nao fazem porque não assistiram. Então “batem” no mais óbvio (o personagem senhor Satan).

Em Naruto, embora uma entidade má tenha sido presa no corpo do herói, não corrompeu sua alma ou caráter. Muito pelo contrário; o herói se pudesse se livraria da entidade. Fora isso a obra apresenta valores raros hoje em dia como a busca por salvar um amigo que se perdeu, o valor do esforço e do trabalho etc. Condenar a obra por ter vilões não é inteligente. Ela pode ser condenada porque é essencialmente mau perder 300 horas assistindo uma obra de ficção, já que Naruto é um dos mais extensos desenhos animados já produzidos. Novamente o que vale é o princípio.

Então chegamos as considerações do começo desse artigo. Os pastores deveriam ser mais claros na condenação da ficção. E no princípio por trás disso. Mas é um assunto tão complexo que não ousam entrar nele. Também por conta da hipocrisia: são tolerados filmes e livros de ficção com fundo cristão. Que geralmente mostram o “filho do crente sendo salvo das drogas” por exemplo. Assim fica mais difícil ainda explicar porque obras cristãs são toleradas e outras obras não cristãs com ensinamentos igualmente valiosos, não são!! Também poderíamos entrar na filosofia que filmes não ensinam nada mas são apenas obras de entretenimento. E os filmes cristãos poderiam ser classificados apenas dessa maneira: obras que não fazem diferença na vida de ninguém.

Quando me refiro a filmes cristãos não me refiro a dramatização de passagens bíblicas ou a vida de Cristo. E quando entramos na dramatização bíblica a coisa toda complica mais ainda. Alguns religiosos também são contra ela. Embora os filmes que dramatizam passagens bíblicas tenham levado muitos a conversão. Mas a condenação de histórias baseadas em fatos reais é história pra outro artigo.

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